Patrimônio histórico nacional, Igrejas do Carmo de Mogi das Cruzes seguem fechadas há mais de um ano

  • 12/06/2026
(Foto: Reprodução)
Patrimônio histórico nacional, Igrejas do Carmo de Mogi das Cruzes estão fechadas Tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o complexo das Igrejas do Carmo, em Mogi das Cruzes, está fechado para visitas e celebrações há mais de um ano. O conjunto histórico passou por obras emergenciais e avaliações técnicas e uma das igrejas recebe obras de restauração. Construídas entre os séculos 17 e 18, as igrejas da Ordem Primeira e da Ordem Terceira também são tombadas pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo (Condephaat). O complexo guarda exemplares raros da arte barroca e rococó no estado e é considerado um dos patrimônios históricos mais importantes de Mogi das Cruzes. ✅ Clique para seguir o canal do g1 Mogi das Cruzes e Suzano no WhatsApp O fechamento ocorreu após recomendações do Iphan, que orientou a administração das igrejas a restringir o acesso do público depois da identificação de problemas na estrutura do conjunto. As portas permanecem fechadas enquanto órgãos de preservação acompanham a situação e as intervenções realizadas para garantir a segurança do patrimônio. Capela-Mor da Igreja da Ordem Primeira do Carmo está sendo restaurada Larissa Rodrigues/g1 A decisão de suspender as atividades no local foi tomada após o desabamento do teto da chamada "Igreja de Ouro", em Salvador, em fevereiro do ano passado. No acidente, uma turista morreu. Diante do caso, o pároco das Igrejas do Carmo, frei Jerry de Sousa Fonseca, solicitou uma vistoria do Iphan no complexo mogiano. "O Iphan veio e emitiu uma nota técnica, um ofício recomendando que as igrejas permanecessem sem atividade, sem nenhuma celebração e fosse providenciado um laudo com uma empresa qualificada. O que foi feito mais ou menos em junho. E o laudo aponto que a ação do cupim estava mais avançada do que a gente imaginava", afirmou frei Jerry. Com a recomendação dos órgãos de preservação, as igrejas permaneceram fechadas enquanto avaliações mais detalhadas eram realizadas. Meses depois, um laudo estrutural confirmou o comprometimento de telhados e forros e apontou a necessidade de intervenções para garantir a segurança do conjunto histórico. Antes da identificação dos problemas no forro, a Capela-Mor da Igreja da Ordem Primeira havia sido contemplada por um edital do Programa de Ação Cultural (ProAC), do Governo do Estado, no valor de R$ 2 milhões para obras de restauração. A captação foi feita pelo produtor Culural Déo Miranda. Com a descoberta dos danos estruturais, o planejamento precisou ser alterado para incluir os serviços emergenciais de escoramento do teto dentro do mesmo orçamento. "Esse projeto, ele previa somente uma restauração artística no forro, nos banhados a ouro, nos enfeites que precisam ser recuperados. O que a gente fez foi mudar o plano de trabalho e no lugar da restauração implantar um dispostivo de segurança que seria a escora até que se ache uma solução", explicou Culural Déo Miranda que também é o autor do projeto de restauro. Em maio deste ano, uma nova vistoria acompanhou o andamento das medidas emergenciais adotadas no complexo. Após a inspeção, o Iphan solicitou à Defesa Civil de Mogi das Cruzes um relatório técnico sobre as condições das igrejas. Segundo a Prefeitura, o documento ainda depende de informações complementares solicitadas à empresa responsável pelos trabalhos realizados no local. "Nós estamos a um mês dos festejos de Nossa Senhora do Carmo. Os trabalhos na capela mór está em fase de conclusão e expectativa que nós podemos reabrir a igreja da Ordem Primeira e da Ordem Terceira para celebrações para visitação do público. Porquei não é só um patrimônio de fé ...é um patrimônio da da identidade de Mogi das Cruzes", destacou frei Jerry. A expectativa pela reabertura é compartilhada por moradores e estudiosos do patrimônio histórico. O filósofo e pesquisador Guilherme Alberti, nascido e criado em Mogi das Cruzes, destaca a importância histórica do conjunto e defende que as intervenções realizadas sejam informadas à população. "Elas são a encarnação da identidade da cidade de Mogi das Cruzes. Não só da cidade de Mogi das Cruzes mas até do Brasil. Afinal de contas, ela é tombada a nível nacional. Quando acontece o fechamento, a minha discordância não foi o fechamento. Mas, a minha grande questão é em relação a transparência de como esse restauro está acontecendo. Como se trata de um patrimônio que não pertence só a memória carmelita, mas também a população de Mogi das Cruzes e até da formação da memória do povo brasileiro, passei a acompanhar no dia a dia como se daria a transparência e divulgação do passo a passo desse restauro", explicou Alberti. No fim de maio, o Ministério Público transformou a apuração inicial sobre o caso em um inquérito civil para acompanhar as ações de conservação das Igrejas do Carmo. "Nós tivemos recentemente uma reunião aqui maravilhosa com o procurador do MP federal sempre caminhando debaixo das orientações legais do Iphan, Condephat e órgãos competentes. Nós precisamos dar os passos de acordo com a maneira correta", afirmou frei Jerry. Enquanto os trabalhos seguem em andamento, fiéis aguardam a reabertura de um dos patrimônios mais antigos de Mogi das Cruzes. Mais do que construções históricas, as Igrejas do Carmo guardam memórias de gerações de moradores e fazem parte da própria formação da cidade. "O nosso desejo, se estivesse em meu poder, reabriria imediatamente. Mas nós temos que fazer o que fizemos desde o início. Tudo que é digno, justo e verdadeiro é mais trabalhoso. Mas vamos fazer o que temos feito e quem sabe para os próximos anos o restauro de todo esse complexo." Assista a mais notícias do Alto Tietê

FONTE: https://g1.globo.com/sp/mogi-das-cruzes-suzano/noticia/2026/06/12/patrimonio-historico-nacional-igrejas-do-carmo-de-mogi-das-cruzes-seguem-fechadas-ha-mais-de-um-ano.ghtml


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